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O Guru da Anti-Autoajuda

Publicado em

Roqueiro dos Stones inspira divertido manual de sobrevivência

Maria Carolina Maia



(AFP)

“Se você ficar doidão, fique doidão com elegância.” 
(Keith Richards, o guru)

 

“Nunca tive problemas com as drogas, só com a polícia.” “Quanto mais dinheiro você ganha, menos consegue comprar.” “Se entrar de cabeça em algo, é bom saber como sair.” “Nunca passei mal no banheiro de ninguém. Considero isso o ápice da falta de educação.” É por tiradas como essa – e por ter sobrevivido a todo tipo de desajuste, conflito pessoal e perseguição policial – que Keith Richards, um dos dinossauros da banda Rolling Stones, se tornou uma espécie de guru da anti-autoajuda. O roqueiro foi elevado ao posto pela escritora Jessica Pallington West, autora do livro O que Keith Richards Faria em seu Lugar?, que acaba de sair no Brasil pela editora Fontanar.

“Ele foi a escolha natural”, diz Jessica. “A ideia do livro surgiu a partir do meu longo interesse em Keith como filósofo.” É difícil dizer se a autora, uma auto-declarada fã do guitarrista, está falando sério. Da mesma forma como é difícil atravessar as 260 páginas do livro – recheado de pérolas do roqueiro e de seus “mandamentos”, um conjunto de preceitos organizados por Jessica – segurando o riso. Mas a escritora garante que já fez uso dos princípios do keithismo, como denomina a doutrina que criou a partir de uma extensa pesquisa das entrevistas concedidas por Keith Richards durante sua carreira.

“Eu invoquei as palavras de sabedoria de Keith para enfrentar períodos pessoais turbulentos”, conta Jessica. “Seus comentários sobre vício e drogas são metáforas poderosas para a vida, e frases como ‘A vida é como um animal selvagem, você acha que pode lidar com ela, e de repente ela salta sobre você’ ou ‘Apenas continue respirando’ são mantras úteis para períodos de ansiedade”, ensina.

Entre os 26 mandamentos do keithismo elencados pela escritora, há conselhos como “Aceite (ou pelo menos tolere) seu Mick Jagger interior” (uma referência ao lado sombrio, ou pelo menos oposto, que cada um

Reprodução

 

 traz dentro de si) e “Aceite seus vícios, encare-os com humor e livre-se da culpa” (a ideia de que toda experiência é válida, porque enriquece). Jessica, que nunca conheceu Richards pessoalmente, não sabe a opinião do roqueiro a respeito do livro. Mas, se ela acertou Richards na veia, não vai faltar ao roqueiro senso de humor para folhear a si mesmo.

 
 

Siga o mestre: cinco situações em que Keith Richards tem muito o que ensinar
 
 
1. Um amigo quer que você o acompanhe a um evento profissional. Você não quer ir, mas não sabe como dizer não.

O que Keith Richards faria: Diria não. “Quando Keith tentava se livrar das drogas, traficantes queriam vender-lhe coisas, e ele inverteu a situação: ‘Simplesmente observava a expressão deles mudar quando não conseguiam fazer a venda – e isso era o que me dava onda.”


2. Alguém do escritório comete um erro e a sua cabeça é pedida. Como sair dessa?

O que Keith Richards faria: “Quando um membro antigo da equipe dos Stones, Chuck Magee, morreu de enfarte, a tragédia aconteceu de acordo com a típica má sorte de Keith – durante um show. Keith se virou depois de uma canção e percebeu que Chuck não estava mais ali. Mas ele deu a volta na catástrofe: ‘Nós o mantemos vivo culpando-o por tudo que dá errado’. Se é preciso culpar alguém, encontre um fantasma e culpe-o. É mais fácil para todo mundo. O fantasma pode até gostar.”



3. Seu amigo ataca primeiro aquela gata que você vinha azarando, e você, além de magoado, fica na mão.

O que Keith Richards faria: “Oferecer a outra face é a última coisa a ser feita. Não tenha medo de seu Judas. Como disse Keith sobre como lidar com o demônio: ‘Se você o confronta, ele fica sem emprego’.” O próprio Keith já pôs em prática a ideia. Quando reencontrou ‘Spanish Tony’ Sanchez, um traficante de confiança que desapareceu por um tempo e ressurgiu com um livro bombástico, em que contava detalhes da relação do roqueiro com as drogas, não caiu na tentação de esmurrá-lo. “Em vez disso, mostrou-lhe o revólver novo que comprara. ‘Não o vejo desde então’.”



4. Você tem feito um excelente trabalho, mas outro é promovido em seu lugar.

O que Keith Richards faria:
O primeiro passo é aceitar. “A melhor maneira de lidar com um colega de trabalho difícil é vê-lo como o Mick Jagger – a “outra metade” necessária, que existe para que nós existamos, e cuja realidade precisa ser tolerada.” O segundo é agir como Keith fez quando Jagger levou uma condecoração de cavaleiro em seu lugar. “Fale com quanto mais gente puder. Dirija-se especificamente àqueles que serão capazes de transmitir as piores palavras em relação ao seu adversário ao maior número de pessoas. Inspirando uma atenção negativa no canalha, você pode fazê-lo tropeçar e, então, estará por perto para assumir sua posição”.

5. Você se olha no espelho, descobre uma ruga no rosto e sente um frio na barriga.

O que Keith Richards faria: Richards tinha medo de envelhecer, mas acabou gostando da brincadeira. “Quando eu era mais jovem, disse: ‘Se viver até os 30 anos, dou um tiro em mim mesmo’. Você chega aos 30 e guarda a arma. Quanto mais velho você fica, mais orgulhoso você fica por ter chegado lá, porque sabe que metade dos malas por aí não vai conseguir. Já houve muitas vezes em que eu poderia ter batido as botas, mas sempre me pareceu uma saída fácil.”

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